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Jornal Comercio do
Porto 22-03-2000
Bebé de Gaia nasceu
com doença rara
Síndrome Adams-Oliver caracterizada por defeitos no couro
cabeludo, dedos e membros
Um
bebé nasceu há dois meses no
Porto com Síndroma Adams-Oliver (SAO), doença
"extremamente rara" que se caracteriza por defeitos
no couro cabeludo, dedos e membros, disseram à Agência Lusa
os pais.
Apesar de afectar o
couro cabeludo, "o desenvolvimento intelectual está geralmente
dentro dos limites normais, mesmo em pessoas com grandes
defeitos nos ossos do crâneo", lê-se na descrição da SAO
constante na pagina na internet da organização britânica
"CaF-Ccontact a Family".
O menino nasceu a 22
de Janeiro
no Hospital de S. António, sem pele
e osso numa área do crânio de 10 por oito centímetros e com os
dedos dos pés unidos, tendo-lhes sido diagnosticado a SAO.
Parto foi induzido, às
38 semanas
de gestação, tendo o bebé nascido
com 2,3 quilogramas,
de Apgar 9/10 e sem necessidade de
reanimação.
Seis dias depois, foi
transporta
do para o Hospital Pediátrico Maria
Pia, também no Porto, para correcção
por cirurgia plástica, tendo
sido já submetido a quatro intervenções, das quais está
actualmente a recuperar sem complicações graves.
Contactado pela Lusa,
o director do Hospital Maria Pia, José Manuel Pavão, frisou que
é a primeira vez em 30 anos que tem contacto com um caso de SAO,
doença muito pouco conhecida em Portugal.
O relatório clínico
feito pelo Hospital Maria Pia há cerca de uma semana (13 de
Março) revela que o menino tem boa tolerância digestiva, função
renal e coagulação normais, movimentos espontâneos activos,
postura normal e ausência de défices motores.
A ausência de osso
corresponde à parte média dos parietais, não havendo sinais de
hidrocefalia e existindo apenas "um discreto alargamento dos
ventrículos laterais", lesão lenticular e possível pequena
contusão num dos sulcos parietais.
A primeira correcção
cirúrgica
foi efectuada quando o bebé tinha apenas sete dias de vida e
consistiu na colocação de retalho frontal, tendo nos dias
seguintes sido feitas as restantes, a última das quais (11 de
Fevereiro) Com enxerto de pele na região occipital colhida da
região lombar.
Cirurgiões optimistas e pais preocupados!
Apesar
de a equipa de cirurgiões plásticos estar "optimista", os pais do
menino, residentes em Gaia, não estão sossegados e consideram que o seu
filho tem uma "deficiência grave na cabeça".
Em
carta enviada à Lusa, os pais
referem que a gravidez foi "muito
atribulada" e admitem uma
"possível negligência médica",argumentando
que, "após várias idas ao médico e varias ecografias, não foi
detectada qualquer anomalia".
Contudo, a "CaF" salienta que não
esta disponível qualquer teste de diagnóstico pré-natal da SAO e
que apenas um "detalhado" exame com ultra-sons às 18 semanas
pode detectar os defeitos mais graves no crânio e membros.
Contactado pela Lusa, o pai
do bebé, Carlos Mendes, afirma que, ao contrario do que os
médicos dizem, parece-lhe que o seu filho "não tem
desenvolvimento nenhum" e que "tem problemas cerebrais,
respiratórios e cardíacos". Carlos Mendes disse ainda que foi
detectado há cerca de 15 dias em Viana do Castelo um outro
caso de SAO, mas com menos gravidade do que o do seu filho, o que
a Lusa não conseguiu confirmar.
Um dado que pode demonstrar
a raridade da doença é o facto de existir desde 1993 no Reino
Unido um grupo de apoio a pais de crianças com SAO que está em
contacto com apenas nove famílias no país e uma décima nos
estados Unidos.
Na Internet, existe desde
Junho de 1999 um grupo de discussão sobre a SAO criado pela
"eGroups", mas só tem registadas quatro mensagens.
O capitulo foi retirado na
integra do Jornal Comercio do Porto.
Obrigado pelo tempo dispendido.
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Jornal Diário de Noticias 22-03-2000
Doença rara em dois bebés
Malformação congénita nunca vista
no hospital pediátrico de Maria Pia tem caso mais grave numa
criança de dois meses
Duas crianças
encontram-se internadas no Hospital Pediátrico
de Maria Pia, com a síndroma de
Adams-Oliver, uma malformação
congénita muito rara. A principal
característica desta doença é a falta
de calote craniano, o osso que cobre o cérebro, estando o
doente
mais vulnerável
a infecções
e
traumatismos, registando-se ainda defeitos nos dedos e membros.
O caso mais grave é o de um bebé de dois meses, nascido no
Hospital de Santo António, ao qual falta uma área de oito
centímetros por dez de calote craniano.
O caso do bebé, de sexo masculino, nascido de parto induzido ao
fim de 38 semanas, foi comunicado pelos pais por carta a Agência
Lusa. Em declarações ao DN, a mãe da criança, Fátima Pimparel,
afirma a sua vontade de recorrer aos tribunais por alegada
«negligência médica».
A revolta da mãe deve-se ao facto de não lhe ter sido dado a
escolher se queria ou não continuar com a gestação
Segundo a mãe da criança «na ecografia das 18 semanas nota-se
perfeitamente que falta quase metade do crânio», mas nunca foi
informada do facto.
A revolta da mãe deve-se sobretudo ao facto de não lhe ter sido
dado a escolher se queria ou não continuar com a gestação. «se
eu tivesse sabido, teria interrompido a gravidez». O que não é
justo é um bebé nascer sem crânio», desabafou, Fátima Pimparel,
lembra que teve uma gravidez muito complicada, «sempre com
muitas contracções», e sempre medicada de forma a «aguentar o
bebé».
A mãe afirma querer ir a tribunal, mas não sabe «como», porque
nenhum médico lhe passa um relatório, de acordo com a ecografia
das 18 semanas, que já mandou ampliar, a afirmar que falta uma
parte do crânio. Neste momento, o bebé tem problemas cardíacos e
respiratórios e os pais não acreditam que venha a ter um
desenvolvimento normal.
José Manuel Pavão, director do Hospital Maria Pia, que afirmou
«nunca ter visto outro caso como este antes», afirmou que as
intervenções cirúrgicas estão a transitar na Comissão de Ética
da instituição. «são casos muito difíceis e não há experiência
do passado», explicou, afirmando ainda que existe muita
indefinição e desconhecimento sobre a doença. não se sabe quais
as incapacidades físicas, motoras ou intelectuais que podem
advir da doença, embora se admita na sua descrição que as
crianças afectadas possam vir a ter um desenvolvimento normal de
cérebro.
O director do Hospital defende que esta doença é possivelmente
muito difícil de diagnosticar durante o período de gestação,
porque a deformação «pode não ser tão notória que os
ecografistas a detectem», e também «porque o crânio tem vários
períodos de desenvolvimento».
O diagnóstico da doença só foi feito uma semana depois do
nascimento da criança. «Não sabiam que tinha o bebé e foram
chamadas várias especialidades», conta Fátima Pimparel. Depois
de uma semana de internamento nos Cuidados Intensivos do
Hospital de Santo António, o bebé foi transferido para o Maria
Pia, onde foi sujeito a algumas intervenções cirúrgicas. «A
equipa de cirurgiões plásticos é excelente, mas a falta é muito
grande não há muito onde ir buscar a pele em falta», afirma
Fátima Pinparel.
Para as intervenções cirúrgicas plásticas efectuadas ao bebé foi
já retirado enxertos de pele do pescoço e da testa. Nos exames
já efectuados, o menino revelou boa tolerância digestiva, função
renal e movimentos espontâneos activos. Não foi detectado nenhum
problema de hidrocefalia.
O segundo caso, internado no Hospital Maria Pia há cerca de uma
semana, «com uma situação comparável», é o da uma criança de
sexo feminino com pouco tempo de vida, mas cuja gravidade é
muito menor. «A área do crânio exposta é muito pouca, sendo
possível fazer a cobertura», explicou José Manuel Pavão.
O capitulo
foi retirado na integra do Jornal de Noticias. Redigido por:
Elsa Costa e Silva
Obrigado pelo tempo dispendido.
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